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quinta-feira, 10 de março de 2011

Livros: Pequena Abelha - Chris Cleave

Pequena Abelha
O Mundo Oculto
    Não entendo porque a divulguação deste livro nos pede para não revelar o enredo, dizendo que "é uma história especial". Enquanto histórias como Pequena Abelha continuarem a serm tratadas como "especiais", continuaremos cegos para o quanto essa realidade é comum. Mas, como não quero ser alvo de repreenções por revelar o enredo, também vou ocultar alguns fatos. O livro do intenso Chris Cleave tem 267 páginas e foi editado pela Intrínceca. Trata de uma realidade oculta pela mídia, de um mundo de horror escondido debaixo de nossos olhos.
    Do enredo, direi apenas: o assunto é África, e vemos as diferenças de realidade entre o mundo africano e o europeu. É centrado na vida de duas mulheres, uma africana e uma britânica, que, pelo acaso, se encontram.
    O que achei muito interessante foi o fato de o narrador mudar a cada capítulo, ora sendo Abelinha, a africana, ora sendo Sarah, a britânica, quem narra. Isso nos possibilita ver a diferença de mentalidade entre quem mora em cada "mundo" (digo mundo, pois a diferença de realidades é tão intensa, que chega a ser duvidável que as duas realidades pertençam ao mesmo planeta). O livro nos faz acordar um pouco para essa realidade tão pouco mencionada nos meios de comunicação, expondo muitas verdades, mas não apresenta soluções para aquele horror: me sinto impotente diante de tudo aquilo.
Mas o livro não é apenas expositivo. Cleave nos faz refletir sobre muita coisa. Fala muito sobre valores, diferenças de costumes entre os povos. Além disso, me fez ver o quão o conceito de felicidade é subjetivo. Abelinha é mais feliz que Sarah. Como uma menina nigeriana que sofreu tanto quanto ela pode ser tão feliz? Já Sarah não sabe de onde tira problemas para reclamar, mesmo em sua vidinha confortável. O que isso quer dizer? Que a vida de Abelinha é mais simples e por isso ela é mais feliz, ou que a felicidade só depende de nós mesmos, e não do meio em que vivemos? Acho que Abelinha sabe lidar melhor com as pessoas, Sarah não sabe, tanto que sentiu necessidade de trair o marido, e não educa direito seu filho. Talvez a felicidade esteja nisso, em aprender a lidar com as pessoas, independente do contexto em que se vive. Depois de ler este romance, estou passando a acreditar que sim. Saber lidar com as pessoas é igual a conseguir o que quer (ajuda, facilidades e aprendizado). Além disso tudo, percebi que Abelinha é muito sábia, mas tão inoscente! Inocência e sabedoria tem algo a ver? É possível que, sem estar corrompida com os costumes e dogmas, uma pessoa tenha a mente mais limpa, e, portanto, seja mais sábia. Talvez.
    O fato de o autor conseguir despertar todos esses sentimentos em mim já lhe garante minha admiração. Fiquei com a impressão de que ele é muito inteligente e que pesquisa muito para escrever (como já disse, essa realidade não é muito falada na mídia). Vale mais do que a pena para quem aguenta um choque de realidade muito intenso de um um mundo cruel escondido sob o nosso.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Livros: "Muito Mais que uma Princesa" - Laura Lee Guhrk

Muito Mais que uma Princesa
Muito Menos que o Esperado
   Esse é o primeiro romance histórico que leio que não foi escrito pela Patricia Cabot. Então cometi o terrível erro de compará-la à Laura Lee Guhrke, escritora do Muito Mais que uma Princesa, o que não recomendo a quem for ler este livro. Mesmo assim tenho que confessar que foram as 341 páginas mais longas que já li, embora tenha rido muito com os personagens em alguns pontos da história.
   A protagonista Lucia é uma mulher de personalidade forte, sonhadora e determinada, além de manipuladora. Como é filha bastarda de um príncipe, seu pai tenta escondê-la durante sua vida inteira, e, como resposta a isso, Lucia tenta chamar a atenção para si das maneiras mais escandalosas possíveis. Foge, rouba, vai a festas, fuma, provoca escândalos. A gota d'água foi quando envolveu sua meia-irmã, a filha legítima do príncipe e verdadeira princesa, em uma de suas confusões. A partir daí seu pai resolve casar Lucia, para passar a responsabilidade dela para o marido. E contrata para isso Ian, um diplomata conceituado que não fica nada feliz em servir de casamenteiro para a filha bastarda de um príncipe. Lucia está disposta a só se casar por amor e de não ter um casamento arranjado, e dedica seu tempo livre a amolecer o coração duro de Ian, que só pensa em casá-la para retornar ao trabalho. Mas, com o tempo, ele já não resiste às tentações de Lucia. E... Bem, já da para entender com quem ela vai querer se casar, não é?
   Eu ouvi falarem horrores desse livro antes de lê-lo, e pensei que fosse melhor. Li em muitas resenhas que Ian demora muito para largar o jeito ultra-hiper-mega-super-certinho e se entregar, mas quando se entrega se entrega com força. Só agora eu entendo este "com força". É no sentido literal, ele literalmente se joga com toda a força contra Lucia. Pobresinha, ela deve ter ficado mais roxa que Bella depois de noite de núpcias.
   Também fiquei preocupada com isso antes de ler o livro. Me falaram que as cenas picantes eram muito pesadas, e até que era verdade, se não fosse pela longa demora. Para acontecer o primeiro beijo do casal (um mero beijinho de meio segundo!), demorou mais da metade do livro. Para a coisa andar então! A culpa foi de Ian, claro, que não largava o estilo super-certinho. A respeito dele, posso dizer que é um retardado. Não que ele não seja super fofo, romântico, bonito, inteligente, trabalhador; mas ele só é assim por dentro. Por fora ele é uma estátua. Uma pedra morta e sem vida. Ele faz questão de (não sei porque) não demonstrar o que está sentindo. Nunca. A impressão que temos é que ele não é homem, para não se entregar a toda a enorme sedução feita por Lucia, que só faltava ficar pelada na frente dele de tanto que apelou. Isso até que o foco da narração mudasse para Ian, aí vemos que por dentro ele está louco.
   Mal balanceado, o livro tráz muito tempo dessa enrolação do Ian, ele guarda todos os seus sentimentos para a última fala do livro, o que faz o mesmo parecer clichê. É extremamente lento! Se Laura não tivesse o poder de nos deixar tão curiosa, eu diria que o romance é intediante. Está aí mais um exemplo do mal balanceamento do livro. Ele passa de monótono e entediante a erotismo declarado. Achei a mudança um pouco brusca.
   Mas nem tudo é ruim. Além de ser muito engraçada a disputa entre Lucia e Ian para ver quem está no controle, aprendemos muitas dicas sobre como usar o jeitinho feminino para conquistar qualquer um. Isso Lucia tira de letra. E o livro mostra de uma maneira clara e bem humorada as diferenças de casa sexo, e como nos sentimos a respeito do sexo oposto. Nesse ponto Laura ganhou o meu respeito e muito! Uma declaração sincera sde como são as relações amorosas.
   É, no fim, fico no meio a meio. Recomendo para quem está intediado.

sábado, 27 de novembro de 2010

Livros: "A Sombra do Vento" - Carlos Luiz Zafón

A Sombra do Vento
Oh, como o sofrimento dói...

Estou frustrada que todos que leram esse livro gostaram. Me sinto num planeta de emos. A Sombra do Vento trás o pior sofrimento que já li. Um livro sobre pessoas ruins, que fazem coisas ruins para pessoas tristes, que se tornam pessoas ruins. Detestei mesmo, 399 páginas de choradeira. Fez sentir-me mal. Carlos Ruíz Zafón é um escritor do mal.
O romance conta a história de um menino cujo pai o leva a um lugar chamado Semitério dos Livros Esquecidos. Trata-se de uma enorme biblioteca, apenas com livros que já saíram de circulação por algum motivo. O menino, Daniel, escolhe um dentre eles, A sombra do Vento, lê e adora. Resolve pesquisar mais sobre a vida do autor, Júlián Carax, e descobre que ele teve uma complicada vida de amores impossíveis, um pai que o odiava e que batia na mãe.
A vida de Júlian foi a pior catástrofe que poderia acontecer com a vida de alguém. Não apenas por que foi atingido por todos os lados por pessoas ruins (ao que me parece, para Zafón, todas as pessoas do mundo são ruins, ou fracas), mas por que Julián é um retardado com dor de cotuvelo que não sabe enxergar um futuro. Isso é outro problema do livro. TODAS AS PESSOAS ESTÃO PRESAS AO PASSADO. Ninguém enxerga um futuro. O pai de Júlian, Júlian, Daniel, o pai de Daniel, o Inspetor Javier, Miquel, e, principalmente, Núria.
Núria Monford. Que mulher mais triste! E sem nenhum motivo. Simplesmente ficou obsecada por Julián, aí começou a ficar depreciva igual a ele. E não tinha nenhum motivo pra estar triste, podia ter sido feliz, mas ficou apegada a fantasmas do passado como todos no livro. É como se sofrer e ter uma vida apenas de dor fosse o normal das pessoas para Zafón.
O pior personagem é Ricardo Aldaya. *sopoiler* QUE TIPO DE PAI MATA SEU FILHO NA TENTATIVA DE CASTIGÁ-LO? *até aqui* O que foi aquilo! Como um livro com tamanha crueldade considerada normal, pode ser bom?!
O que mais me frustra, é que Julián não aprendeu absolutamente NADA com a vida dele. Tinha um futuro brilhante, era um menino maravilhoso, talentoso e um bom amigo, mas desistiu da vida dele, e fez da mesma inútil.
É como se fosse uma enorme corrente do mal. Um personagem deixa o outro triste, que deixa o outro triste, que deixa o outro triste. E o pior, é que o livro teoricamente acaba bem, mas não senti nenhum vestígio da alegria que se sente quando um livro termina bem, do tipo: "que bom! Acabou tudo bem!". Pelo contrário. A sensação que tive foi que o livro acabou da pior forma possível, apesar das palavras na obra dizerem o contrário. Foi como: "é uma pena! Ninguém terminou bem nesse livro, NINGUÉM!".
Destaque pela linguagem do livro, Zafón escreve bem...
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domingo, 31 de outubro de 2010

Livros: "Perfeitos" - Scott Westerfeld

Perfeitos
Um Perfeito Livro Contra a Ignorância do Homem

"Perfeitos" é perfeito. Não tenho outras palavras. Possivelmente as 382 melhores páginas que já li. Uma combinação perfeita de ficção científica, crítica social e utopia. Scott Westerfeld mostrou que entende muito de felicidade, despresando o conceito dessa palavra no sentido que conhecemos. E tenho que parabenizar a editora Galera Record pela excelente tradução desta obra (o que tem de tradução malfeita por aí...).

** Esta resenha pode conter spoilers para quem não leu 'Feios' **
O livro começa nos mostrando uma Tally perfeita, ou seja, fútil, ignorante e burra. Essa é a Tally do resultado da cirurgia plástica, com o cérebro lesionado. Suas únicas preocupações são escolher uma roupa para festa da noite (enquanto tenta dar um jeito na ressaca da festa da noite anterior), e ser aceita em um grupo de amigos (não importa que amigos, desde que sejam amigos). É nesse contexto que conhece Zane, um rapaz inteligente o suficiente para descobrir que teve seu cérebro lesionado mesmo estando completamente lesado (esse sim é perfeito). E, com o incentivo desse perfeito perfeito, ela toma coragem para tomar as pílulas que Croy, um antigo amigo dos tempos de feia de Tally, a entregou. Então ela volta a ser a tally que conhecemos. E Zane, que tomou metade dos comprimidos, também. A pratir daí os dois tem que lutar para burlar a fiscalização, fugir, descobrir o que aconteceu com os novos enfumaçados sumidos, salvar ses amigos perfeitos lesados, e por aí vai. E Tally tem que escolher entre Zane e David.
Antes de fazer minhas considerações, preciso expressar meu descotentamento com Tally ao final do livro (além de minha surpresa, claro). Ela não podia ter escolhido pior hora para discutir o seu relacinamento. Era a hora de pensar racionalmente, não sentimentalmente. O resultado foi sua vida por água abaixo. E, desta vez, não há ninguém para salvá-la. Mal posso esperar para ver do que vai ser feito o terceiro livro, "Specials"... (falando nisso, alguém sabe quando lança aqui no Brasil? Estou ficando doida de curiosidade!).
Colocando em prova todos os nossos conceitos de vida perfeita (luxo, prazeres, festas), Westerfeld critica a ignorância da maioria das pessoas, que acham que a vida se resume ao que podem ver e ouvir, e que acham que a maior felicidade do mundo é se divertir o dia inteiro. Ele denuncia a preguiça do ser humano em enxergar a um palmo diante do nariz, em pesquizar apenas um pouquinho para descobrir o quão as pessoas à sua volta podem estar lhe enganando. E denuncia como somos manipulados pelo governo muitas vezes. Tudo isso isso com uma grande metáfora e com um jeito de escrever que nos deixa curiosos do início ao fim.
Cito algumas partes que me marcaram:
"Essa praga [...] infectava [...] apenas o petróleo, reproduzindo-se nos tanques de carros e aviões [...].O petróleo modificado pegava fogo assim que entrava em contato com oxigênio [...] Até contaminar todas as máquinas do mundo Enferrujado.
Mesmo depois de descobrirem o que a praga estava fazendo, cidadãos em pânico continuaram entrando em seus carros patéticos de rodas emborrachadas, pensando em fujir rumo à natureza. [...] Pouquíssimas pessoas tinham sido espertas o bastante prara saírem andando [...].
- Caramba, vocês eram muito idiotas - murmurou Tally..."

"- Talvez as lesões não sejam tão importantes quanto pensamos. Seu pai sempre suspeitou que o que chamamos de mente perfeita era apenas o estado natural da maioria das pessoas. Elas querem ser sem graça, preguiçosas e superficiais [...] E egoístas. Basta um pequeno incentivo para que essa parte de suas personalidades prevaleça. E seu pai sempre achou que algumas pessoas eram capazes de escapar usando a força de vontade."

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terça-feira, 21 de setembro de 2010

Livros: "Feios" - Soctt Westerfeld

Feios
  Provando que o Comunismo Não Funciona

Um livro curioso é esse “Feios”, de Scott Westerfeld. É uma ficção bem ilusória, porém aborda um assunto muito real, que já gerou polemica no mundo inteiro. Esta maravilhosa obra trás as 415 páginas mais engenhosas depois de Harry Potter. Editado pela Galera, vemos o quão incrível é o universo gerado pelo autor.
O livro trás a história de Tally, uma menina que não vê a hora da chegada de seu aniversario de 16 anos. O motivo é simples: no mundo do futuro em que vive, aos 16 anos as pessoas ganham uma cirurgia plástica do governo que os deixa perfeitos. Pele perfeita, formas perfeitas, saúde perfeita. Resumindo, ao 16 anos, todos ficam lindos e exuberantes. E são entregues a uma vida de festas e prazeres. Assim continua a vida de todos até que atinjam certa idade na qual precisem de uma nova cirurgia, se tornando, assim, perfeitos de meia-idade. Estes segundos trabalham em um cargo escolhido pelo governo, até que se tornam perfeitos idosos, e então descansam. Tally, como ainda é “feia”, tem que arrumar algo para fazer antes de seu tão esperado aniversário, e, em uma de suas artes, acaba conhecendo Shay. Esta garota, ao contrário de Tally, não quer se tornar perfeita. Diz que quer ser ela mesma, independente de beleza ou não, não mais uma perfeita parecida com todos os outros, fazendo as mesmas coisas que todos, e por aí vai. Diz que quer se mudar para Fumaça, um lugar onde ninguém se torna perfeito e o mundo é capitalista, não comunista como o de Tally. Ela foge a esse lugar antes de seu aniversário. A protagonista, mais tarde, se vê obrigada pelo governo a ir à Fumaça também. Tem a finalidade de contar ao Estado a localização dos foras da lei como Shay, sob a ameaça de não se tornar perfeita. Entretanto, em Fumaça, ela descobre um novo modo de pensar a vida, o amor, outros tipos de beleza, e, sobre tudo, a verdade por trás da cirurgia.
Perceba o quão utópico é o mundo de “Feios”. É, realmente, um lugar perfeito. As cidades são auto-sustentáveis, não prejudicam o meio ambiente e todos vivem em harmonia. Perfeito demais. A crítica do autor está nisso. Ele quis mostrar a única maneira viável de se fazer um mundo comunista perfeito:  com todo pensando igual. Mas, como ninguém pensa igual, para o comunismo ser possível, seria preciso alguma medida radical que fizessem todos pensarem igual. Ensinamentos na escola seriam o suficiente? Ou algo mais? Talvez muito mais, como mostra “Feios”.
Outra crítica do autor anticomunista está na dúvida de se o fato de todos serem iguais é realmente bom, ou se é ruim. Ele nos mostra os dois lados da história, e depois coloca a opinião dele.
Westerfeld me convenceu que o comunismo não é bom, que é utópico e repressor. Foi a obra mais bem feita que já vi sobre o tema. E fico curiosa para ler o segundo livro, "Perfeitos". O final é surpreendente, nos trás uma decisão radical de Tally que comprometerá o próximo livro todo, pois será preciso muitas páginas para que o plano seja concretizado; mas salvará todos da ignorância.

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segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Livros: "Entrevista com o Vampiro" - Anne Rice

Entrevista com o Vampiro
Um Trauma Necessário

   Faz dias que não paro de pensar no que li no livro “Entrevista com o vampiro”, de Anne Rice, com 334 páginas editadas pela Rocco. Vício? Não, trauma mesmo. Um livro que, com certeza, nos deixa traumatizados, mas nos trás uma lição de vida inesquecível.
O livro de Rice nos trás uma história que se passa num quarto de um hotel qualquer, com um jovem repórter contratado por um vampiro para entrevistar o mesmo. A primeira coisa que pensamos ao início do livro é; “o que se passa na cabeça de um vampiro para querer ser entrevistado?”. Isso só se descobre no final. Mas, apesar dos personagens não saírem uma única vez do quarto durante o livro, Louis, o Vampiro, conta sua história de vida e faz do enredo da obra um grande Flash Back. Ele já tem duzentos anos e, por tanto, tem muita história para contar. O que pude perceber ao decorrer do romance, é que Louis é uma pessoa muito boa – com um grande coração e muita compaixão – porém muito fraca. Por mais que queira, o protagonista não consegue deixar de matar as pessoas, atividade natural dos vampiros. É claro que conseguiria se tentasse, pois foi assim que ele viveu os primeiros anos de sua vida pós-morte: não matando ninguém e se alimentando de ratos e gatos. Mas, vampiros sempre tem um motivo que os deixam tristes, e o fazem querer realizar o ato de matar, o que é uma espécie de calmante para eles. No caso de louis, o que o deixou triste a princípio foi porque, por mais que fosse do bem na época em que não matava gente, a pessoa que ele mais amava passou a lhe chamar de demônio, diabo, ou coisas do tipo. Daí começou a angústia do personagem. E então ele começou a matar para se sentir bem. Louis entrou em um ciclo: matava por que se sentia triste e se sentia triste por que matava. E não conseguiu parar de matar nunca mais. E foi infeliz pelo resto de sua vida. Nesta infeliz vida, o Vampiro narra para o jornalista todos os acontecimentos mais marcantes que já aconteceram, como o surgimento de uma criança vampira, a maldade e o charme do vampiro Lestat, o conhecimento do Vampiro Armand, o Teatro dos Vampiros, e por aí vai.
 Essa é uma história que nos faz dar valor a tudo o que temos e nunca questionar a lei natural da vida. Pois nos mostra como esta daria errado se não fosse do jeito que é para ser. Quantas vezes já nos pegamos fazendo comentarios do tipo: “ah, como a vida seria mais fácil se não tivéssemos que trabalhar”, ou “Como seria melhor uma vida maior, ficamos muito pouco tempo na Terra!”, ou ainda "Queria poder ficar acordado a noite inteira, curtindo a vida...". Esse livro nos mostra como essas ideias, por mais que aparentem ser boas e facilitadoras da vida, podem resultar em uma vida extremamente infeliz. Nunca mais reclamarei do jeito que minha vida é depois de ler esta obra.
Adianto que todos os vampiros do livro eram infelizes. Todos, sem exceção. Por mais que se refugiassem no sangue, sempre havia um momento em que eles demonstravam suas infelicidades. Pois não há como ser feliz naquelas vidas. Claro, fiquei traumatizada ao ler o livro, é muita tristeza, principalmente por parte do protagonista. Mas é um trauma necessário, para aprendermos a dar valor à vida do jeito que ela é. E ver o que aconteceu com Louis no final... Notem, ao ler a história, que ele nunca interrompe a narrativa porque está emocionado ou triste, por mais que conte sobre assuntos muito íntimos e emocionantes. Não chorou durante a entrevista, não ficou sentido. Não reparei neste fato quando estava lendo o livro, apenas no final.  Isso lhes dará uma dica sobre como termina a história de Louis (sim, ela termina).

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Livros: "Aprendendo a Seduzir" - Scott Westerfeld

Aprendendo a seduzir
  Um Aprendizado de Amadurecimento

  Depois do sucesso no gênero comédia-romântica “A Rosa do Inverno”, Patrícia Cabot (Mag Cabot, com um jeito diferente de escrever no qual não aborda temas como garotas adolescentes ou princesas) nos levou a altas gargalhadas enquanto líamos “Aprendendo a Seduzir” (“Educating Caroline”). Em suas 448 páginas, o romance nos mostra uma comédia-romântica mais engraçada do que romântica, com personagens recheados de características marcantes, e uma descrição bem feita da sociedade do século XVIII. O livro foi (muito mal) editado pela Essência.
Esta obra conta a história de amor entre Caroline Linford; a jovem mais inocente, pura e virginal de Londres; com Braden Granville, ninguém menos que o lothori’o de Londres, o homem mais desvirtuado em termos de sexualidade e de moralidade da cidade. Essa dupla contraditória parece ser uma lei nos livros de Patrícia Cabot, como também é visto em ”A Rosa do Inverno”, com a dupla: homem nobre e mulher liberal.
A história de “Aprendendo a Seduzir” começa quando uma jovem nobre do século retrasado flagra seu noivo a traindo. Desolada, a garota decide que, para fisgar seu noivo de volta, tem de aprender a ser uma amante. Tinha a intenção de que, após o casamento, ela pudesse ser sua esposa e amante ao mesmo tempo, e, assim, ele não sentiria a necessidade de traí-la. Só havia um problema: Caroline era a mulher menos sensual e mais virginal que se via por aí. Sabendo que não fazia a menor ideia de como se tornar o que queria, ela recorre à ajuda do melhor professor no assunto: Braden Granville, um novo burguês que tinha a fama de ser o maior garanhão da cidade, tendo amantes em toda Londres. Porém, logo na primeira visita de Caroline ao burguês, este se descobre apaixonando-se por ela, e logo aceita seu pedido de ensinamentos com o intuito de vê-la novamente. Granville, então, decide se fazer de sonso durante as aulas, parecendo não entender o significado de “aulas teóricas”, e aproveitando as mesmas para “tirar uma casquinha” de Caroline. Ela, por sua vez, acaba vendo um homem bondoso por trás da fama de garanhão de Braden, e apaixona-se também. E então, a diversão está garantida com esse casal que em nada combina. Braden Granville é louco por Caroline, mas seu modo de demonstrar isso é desvirtuando a pobrezinha. Ela, por sua vez, fica desorientada com suas investidas (pois ela nunca passou por tal situação antes), mas ao mesmo tempo está apaixonada pelo garanhão.
O que mais me chamou atenção nessa história é o fato de que Caroline, ao final do livro, amadurece significativamente, ganhando não só noções de sexualidade, como também de esperteza e modos de lidar com situações diversas. Tudo isso aprendeu com Braden, provando que os opostos não só se atraem, como também ensinam e aprendem um com o outro. Granville também ficou mais controlado após um tempo com a amada.
Apesar da divertida comédia, o livro tem um porém: a autora simplesmente não consegue deixar de descrever todos os detalhes de tudo. Isso pode ser bom, pois temos uma descrição detalhada os personagens a ponto de conseguirmos vê-los em nossas mentes, mas pode ser ruim, pois ela descreve cenas que não devem ser descritas. A isso, me refiro às cenas de sexo do livro. Fiquei estupefada quando Cabot começou a descrever um orgasmo. Precisava de tanto?
O romance também conta com um caso de polícia por parte do noivo de Caroline, que terá grande influência no final da história. E, falando no final, deve-se destacar que é preciso ter uma visão histórica para não achar o final sem graça. Ferimentos que para nós parecem relativamente pequenos, para lordes ingleses frescos eram terrivelmente devastadores. Mas isso só deixa o final ainda mais engraçado. Enfim, se você quer um livro bem humorado e com personagens cativantes, leia este.

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Livros: "Amanhecer" - Stephenie Meier

Amanhecendo com Surpresas

   Stephenie Meyer chega ao fim de sua primeira saga com o livro hipnoticamente chocante “Amanhecer”. Com 576 páginas, o romance editado pela Intrínseca trás uma narrativa eletrizante, porém com uma publicidade clara.
   Temos aqui uma protagonista de personalidade peculiar. Com sua timidez e curiosidade, Bella gosta de relacionamentos exóticos, tendo como noivo um vampiro, como melhor amigo um lobisomem e como melhor amiga uma vampira. Com o casamento iminente de Bella com seu grande amor Edward, com quem superou amplos problemas provenientes do tumultuado relacionamento entre ambos em livros anteriores, seu melhor amigo lobisomem, Jacob, tem estado distante dela, fato explicado pela rivalidade entre vampiros e lobisomens. Além do mais, a amiga de Jacob se tornará vampira logo após a lua de mel. Porém, gigantescas surpresas aconteceram após o casamento, que chegarão a ameaçar a vida da grande maioria dos personagens do livro.
   A impressão que temos ao ler o romance é que Meyer listou todos os acontecimentos que ninguém imaginaria que fosse plausível de acontecer na história e colocou na obra. Seu conteúdo é tão chocante que ficamos zonzos ao terminar de ler uma parte dele. Além disso, no texto a autora usufruiu ao máximo de sua incrível capacidade de “hipnotização” dos leitores, com seu envolvente jeito de escrever poético e tocante, capaz de nos prender do começo ao fim. Ela também escreveu sobre assuntos bonitos, como o verdadeiro significado da felicidade, parte bem identificada no brilhante discurso do vampiro Garrentt, ao final do livro. Além disso, também escreve sobre a importância do amor, não só entre Bella e Edward, como também o amor pela família, pelo próximo e pelos amigos.
   Porém, nem tudo são flores. Stephenie Meyer se empolgou muito nesse livro, tornando a narrativa desprovida de detalhes e conteúdo, fato que não se notava em livros anteriores.  Muitos pontos que poderiam tem sido explorados foram falados rapidamente. Esse equívoco fez com que a obra fosse mais volta para agradar o público do que para uma contribuição literária rica e interessante, o que também não acontecia nos outros romances da saga. Isso não torna o empolgante livro indigno de ser lido por quem acompanhou a saga inteira (me refiro somente a eles, porque, quem não leu os outros volumes, não entenderá este), pois a história pode sofrer com a ausência de pormenores, mas é boa.

Livros: "Para Sempre" - Alyson Noël

Para Nunca Mais

Não me recordo da última vez que li um livro tão mal escrito quanto o de Alyson Noël. Em suas 204 malfeitas páginas, “Para Sempre” nos trás uma história vulgar, uma tentativa fracassada de história de amor, editado pela Intrínseca.
Como personagem principal, temos Ever, uma estudante que, após um acidente de carro, adquire poderes sobrenaturais, o que o livro chama de “mediunidade”. Sem pesquisa nenhuma, a autora parece não saber que mediunidade não tem nada a ver com materializar objetos, descobrir a vida inteira de alguém através do toque de pele, ou mesmo enxergar a aura coloridinha que paira em volta do contorno de um corpo. Pois bem. O cenário muda quando Ever conhece Damen, um garoto misterioso que tem o poder de cessar seus “superpoderes” quando está perto dela. A protagonista sente-se apaixonada pelo rapaz (embora os habituais sintomas do amor – não parar de pensar na pessoa amada, querer estar sempre perto de seu amor, etc. – não estejam evidentes; mas a personagem jura de pés juntos que está amando). Damen, por sua vez, tem como principal função no livro perseguir Ever, sendo sempre uma péssima influência para ela. É possível encontrar neste livro apelações de Damen para Ever matar aula ou tirar a roupa. Depois ele jura com todas as suas forças que nunca tentou seduzi-la. Ever percebe, então, que o namorado tem escondido alguns fatos dela: nunca contando de onde veio, o que era o líquido vermelho que ele tomava como se fosse remédio, ou como conseguia vencer todas as apostas de jockey. Então decide perseguir o garoto até descobrir esses mistérios, e descobre alguma besteira sobre poção para imortalidade que Damen toma, como se a alquimia fosse capaz de criar uma bebida que nos fizesse materializar tulipas. O resto só lendo para entender.
Noël escreve usando linguagem informal, não para parecer que foi uma adolescente que escreveu (pois Ever, a narradora, não é o tipo de adolescente comum, que fala gírias e se diverte com a turma, na verdade é bem introvertida), mas por simplesmente não saber escrever. Além disso, a “escritora” (entre aspas mesmo) tem a irritante mania de escrever os verbos no presente, como se não soubesse que os verbos do tipo de texto “romance” têm que ser escritos no passado. Juntando tudo, temos algo como: “eu chego à minha carteira, sento, e vem um infeliz me infortunar. Pô, o cara tava pensando o que?”
Como se tudo isso não bastasse, a autora ainda faz questão de inventar dados que não existem. Segundo o livro, Ever pesquisa na Internet que tulipas vermelhas são sinônimo de “amor eterno” e rosas brancas são sinônimo de “coração que não conhece o amor”. Demorou alguns segundos para que eu pesquisasse aqui em casa o significado dessas flores e descobrir que tulipas vermelhas significam “prova de amor” e rosas brancas “pureza e amor a Deus”. Nada de eternidade, nada de não saber amar.
Porém, apesar de todos os defeitos mencionados, Alyson Noël tem um único ponto forte: consegue nos prender do início ao fim, criando suspense. Não conseguiria ter chegado ao final desse péssimo livro se não fosse essa sua capacidade. Mesmo odiando a história, fiquei curiosa, apenas para ler um final sem pé nem cabeça, uma “viajem” sobre mundos paralelos que surgem do nada e ex-namoradas ciumentas. Portanto, aqui vai a minha dica: não leiam esse livro.

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